O cristão deve aprender a se comportar adequadamente diante da morte. São nos momentos mais difíceis da vida que temos a oportunidade de apresentar ao mundo uma um belo testemunho de confiança na soberania de Deus.
Você já encontrou uma situação mais difícil de enfrentar do que a morte? Embora saibamos que vamos morrer, e que nossos parentes, nossos filhos e nossos irmãos em Cristo também morrerão, ela sempre nos pega de surpresa... Sempre é algo traumático enfrentar a morte, ninguém se acostuma com ela.
A morte é o legado que herdamos de nossos pais (Adão e Eva), porque eles desobedeceram a Deus no Jardim do Édem. A culpa não é só deles, pois também confirmamos nossa natureza pecaminosa gerando morte, separação entre Deus e o homem.
Gn 2:15-17 “Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”
Gn 3:19 “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.”
Rm 5:12 “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.”
Esse é o que temos de pagar por nosso pecado.
Rm 6:23 “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Este é o fim para o qual caminhamos, a morte é nosso inimigo implacável, que de ninguém esquece e a todos conta em seu registro, esperando o momento adequado para o tragar. Nós homens criados por Deus à sua imagem estamos fadados a essa realidade.
Algumas perguntas: O que é ensinado na igreja de Deus sobre o modo adequado de como o cristão deve se comportar diante da morte? Qual deve ser a nossa postura quando um ente querido parte desta vida? Como os cristãos podem ajudar de modo real os enlutados? E quando a “vítima” for você? Como tu deves proceder?
As respostas mais ponderadas, digo corretas, acerca desse assunto vamos encontrar na Revelação de Deus. É na Bíblia que obtemos as reais e precisas respostas para todas as questões referentes à morte, esse crudelíssimo inimigo.
Gostaria de dar orientações para sermos sábios diante da morte
Devemos encarar a morte com sabedoria dada por Deus.
I. O crente pode chorar diante da morte
É muito comum expressarmos nossas mais íntimas emoções por meio de choro e pranto. Isso nada tem a ver com falta de espiritualidade, com falta de confiança em Deus, com rebeldia. Homens santos, com mantinham verdadeira comunhão com o Senhor prantearam diante da morte de amigos e parentes.
1. Vamos ver alguns exemplos bíblicos:
a. Davi, homem de Deus, chorou amargamente a morte de seu filho Absalão.
2Sm 18:32s – “32 Então, disse o rei ao etíope: Vai bem o jovem Absalão? Respondeu o etíope: Sejam como aquele os inimigos do rei, meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para o mal.
Então, o rei, profundamente comovido, subiu à sala que estava por cima da porta e chorou; e, andando, dizia: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!”
Embora Absalão estivesse no encalço de Davi seu pai, procurando matá-lo, Davi sentiu profundamente a dor da perda de seu filho. Davi não procurou disfarçar, nem mostrar-se “forte” aos seus súditos, ele chorou amargamente a morte de Absalão. Enquanto Absalão procurava matar seu pai, Davi deu ordens a todos os capitães dizendo: “tratai com brandura a Absalão” (v.5). A ordem de Davi não foi acatada e Joabe matou o filho do rei.
b. Maria e Marta foram consumidas de tristeza pela morte de Lázaro, essa morte levou até o próprio Senhor Jesus Cristo a prantear amargamente, por ser ele amigo de Lázaro. (Jo 11:33-35)
c. Lucas, o médico, nos conta no livro de Atos que quando Estevão, o primeiro mártir da igreja foi morto, os homens piedosos o sepultaram e fizeram “grande pranto sobre ele”. (At 8:2)
d. Esse mesmo Lucas nos conta também em Atos, no capítulo 9, que os crentes de Jope choraram a morte de Dorcas, uma irmã muito especial, querida por todos daquela igreja (At 9: 36-39). Embora Pedro a tenha feito ressuscitar, o fato que queremos destacar é que ela havia morrido e que seus irmãos a haviam pranteado.
2. O apóstolo Paulo nos ensina que o nível de tristeza não pode ser igual entre a morte de um crente e a morte de um descrente.
1Ts 4:13 “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança.”
A diferença mora no fato de que o crente tem um bem que o faz administrar bem até momentos como a morte. A certeza que temos de um dia estar na presença do Senhor nos faz esperar sem duvidar do grande privilégio que desfrutaremos com o Senhor.
Para Paulo, esse tipo de tristeza tão comum nos incrédulos só se aloja no coração de um crente quando ele se esquece o fato de que os salvos ressuscitarão um dia.
Para o apóstolo, a amarga tristeza mora na falta de esperança quanto ao destino dos incrédulos.
Paulo nos instrui que o sentimento diante da morte e um crente deve ser de TRISTEZA ESPERANÇOSA, que é fruto da certeza da ressurreição futura dos salvos. De posse das verdades acerca da ressurreição futura dos santos (1Co 15; 1Ts 4:13-18) qualquer crente pode evitar o desespero quando a alma de um destes crentes segue em direção ao Céu.
É claro que esses consolos podem não nos valer na hipótese de o falecido ser descrente. Porém, mesmo assim, não fica o crente desamparado, porque esse conta com o auxílio do Espírito Santo, que nos consola, podendo descansar também na soberania de Deus.
Jo 14: 16s “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.”
Rm 8:26s “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.
E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.”
II. O crente deve adorar a Deus mesmo diante da morte
1. O isolamento temporário faz parte desta adoração
Sem sombra de dúvidas o isolamento temporário pode ajudar muito ao enlutado. Esse isolamento deve ter como propósito a comunhão com Deus. O enlutado deveria buscar a presença do Senhor em oração. Podemos ver como exemplo a vida de nosso Senhor...
Mateus 14:1-12 nos conta que João Batista havia sido decapitado numa trama de Herodias no dia do aniversário de seu marido Herodes. Se ouvesse jornais naquela época, imagino que essa estivesse estampada nas primeiras páginas dos principais jornais do país. Quando Jesus recebeu essa “bomba” procurou isolamento (Mt 14:13). O grande assédio de uma multidão doente e faminta interrompeu seu retiro por algum tempo (Mt 14:13-21). Porém, depois de cumprir seu trabalho, buscou novamente o isolamento e orou só, sobre o monte (Mt 14:22-23). O evangelista deixou registrado que esse isolamento durou cerca de dez horas (Mt 14:25).
VAMOS TIRAR ALGUMAS LIÇÕES PARA NOSSAS VIDAS
1ª LIÇÃO - Essa deveria ser uma prática para os enlutados, buscar refúgio naquele que pode consolar nosso coração.
O que vemos com freqüência é enlutados buscando refúgio em amigos, psicólogos, pastores, conselheiros. É claro que tudo isso tem seu lugar e valor, mas nada pode substituir a busca do consolo de Deus, diante de quem devemos derramar nosso coração por todo o tempo.
Sl 62:8 “Confiai nele, ó povo, em todo tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio.”
Mt 11:28-30 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.”
Fp 4:6s “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”
2ª LIÇÃO - O texto mostra que, mesmo entristecido pela morte tão cruel de João, o Senhor Jesus Cristo, ao invés de ser amparado, amparou os outros. Socorreu uma grande multidão necessitada, quando seu próprio coração precisava ser nutrido. Nisso também os crentes devem imitar seu Salvador. Devem ser como o trigo, que esmagado, produz pão puro para alimentar os que estão ao redor.
2. O reconhecimento da soberania de Deus faz parte desta adoração
Todos aqui devem conhecer a dramática história de um homem piedoso e fiel a Deus chamado Jó. Esse homem perdeu bens, filhos, saúde, através de uma série de provações enviadas pelo Senhor (Jó 42:11). E todos nós também conhecemos como ele reagiu diante de tamanha nuvem de sofrimento. Logo após a morte de seus filhos ele diz: “... o Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!”. O texto diz que Jó fez essa declaração após ter-se lançado em terra, em atitude de adoração a Deus (Jó 1:18-21).
Esse caso tem um pouco de semelhança com o ocorrido aqui no interior de nosso estado, quando um homem perdeu seus dois filhos, acadêmicos de medicina, numa mesma noite de forma trágica. Numa discussão boba, um PM os alvejou com um revólver. Imaginemos a situação da família, dos amigos, vizinhos, da população. Todos aguardando qual seria a reação dos familiares, esperando como seria a reação dos mais próximos e principalmente dos pais.
Jó numa simples e bela declaração honrou o nome do Senhor, reconhecendo que o que ele tinha, na verdade pertencia a Deus.
Isso mostra que, quando o cristão está enlutado, ele deve fazer que seus lábios produzam um verdadeiro louvor decorrente da confiança na soberania de Deus. Isso é o que o autor de Hebreus chama de sacrifício de louvor (Hb 13:15), ou seja, esse é um louvor associado à dor, que brota o coração de quem sofre e só pode esperar do homem que confessa Jesus Cristo e descansa na certeza de que todas as coisas o Senhor realiza de conformidade com sua vontade soberana e sempre boa.
III. O crente deve se preparar para a morte
Você, está preparado para morrer? Você gostaria de morrer? Você está pronto para encontrar-se com o Senhor?
É NECESSÁRIO que o crente aprenda, ele mesmo, a morrer. Quero lhe dizer uma verdade... Não somente a sua vida deve servir de exemplo como uma vida de piedade, mas também a sua morte. (Rm 14:8 “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.”)
Este é um assunto delicado porque não é comum nos preocuparmos como enfrentar o momento de nossa partida. Confesso que também não me sinto muito bem em falar desse assunto, e talvez você não esteja confortável em ouvir, mas repito, é necessário tratarmos de uma realidade a qual não temos como fugir.
Você também pode perguntar: Afinal, no momento fatal não bastará fechar os olhos e partir? O que haveria para aprender?
Acredito que alguns de vocês já tiveram a experiência de visitar alguém que estava às portas da morte pensando em confortar o coração deste. E ao sair da visita você o super-homem, ou super-mulher, cheios de orgulho é que foram confortados. O homem cheio do Espírito de Deus, não precisa estar alegre mediante as circunstâncias, mas a presença do Senhor é seu maior bem. Isso é aprender a morrer.
Por outro lado você já deve ter presenciado circunstancias em que o crente fiel de décadas na fé, no momento da morte demonstra fraqueza e reclama de Deus pelo seu estado. Muitas vezes este reclama e blasfema por não aceitar sua humilde condição.
Precisamos nos preocupar em honrar o nosso Salvador em tudo. O Senhor Jesus deve ser engrandecido em nosso corpo tanto pela morte como pela vida. (Fp 1:20 “segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.”)
1. No que estiver ao seu alcance, desde que a morte não seja súbita ou precedida de longo período de inconsciência, deve o cristão ao enfrentá-la esforçar-se por demonstrar firme confiança e até promover a edificação dos que o cercam em momento tão difícil.
Paulo mostra um pouco desta confiança em Deus, mesmo diante de circunstâncias tão adversas as quais ele enfrentava. Quando escreveu aos filipenses, estava preso (Fp 1:14ss) e sabia que sua condenação a morte era provável. Em face disso, em vez de revelar preocupação, medo e insegurança, suas palavras demonstram entusiasmo, coragem e ousadia (Fp 1:20s). O justo sempre tem esperança, mesmo que veja a morte vindo ao seu encontro. (Pv 14: 32 “Pela sua malícia é derribado o perverso, mas o justo, ainda morrendo, tem esperança.”)
2. O cristão deve também morrer como morreu o Senhor Jesus: perdoando os que mais o feriram nesta vida e suplicando o favor de Deus sobre eles.
Lc 23:33s - “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda.
Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.”
Enquanto nos abalamos com esse evento, o Senhor a considera “preciosa”.
Sl 116:15 “Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos.”
3. Todo crente deve partir deste mundo como partiu Estevão. Ele partiu em plena paz.
a. Paz consigo mesmo. At 6:15;
b. Paz com o Seu Senhor. At 7: 55,56,59;
c. Paz com todos os homens. At 7:60.
IV. O crente pode ter consolo até na dor de morte
1. O Senhor está com ele naquele momento difícil (Sl 23:4)
2. A morte é inimigo já vencido por Cristo (1Co 15:3s; 2Tm 1:10)
3. Pela vida de Jesus também desfrutamos dela e um dia ressuscitaremos assim como ele (Jo 6:40; 11:25; 14:19; 1Co 15:52; 2Co 4:14; 1Ts 4:16)
4. Nossa alma vai para o céu assim que nossos olhos se fecharem (Sl 49:15; Lc 16:22; 23:43; Fp 1:23;2Tm 4:18; Ap 14:13)
5. Jesus morreu também para nos livrar do medo da morte, não havendo, portanto, razão para ficarmos aterrorizados com sua aproximação (Hb 2:14-15
V. O crente deve pregar até na mais próxima iminência da morte
Outro procedimento esperado pelo Senhor de quem está à beira da morte é compartilhar com os que estão ao seu redor as provas da bondade e do cuidado de Deus que está experimentando. Isso servirá de conforto para todos os que chegarem a lhe visitar e também para os que ficarem sabendo como você encarou um momento tão difícil. A reação das pessoas é saber onde você encontra tanta força, e quando elas souberem da sua boca que sua rocha é o Senhor Jesus Cristo elas vão ser levadas a crer nesse Deus maravilhoso que cuida de nós e nos conforta, mesmo nos momentos em que a maioria das pessoas estariam em completo desespero. Por isso, quando você estiver morrendo fale da paz que está sentindo, sobre o grande desejo de partir depressa para o descanso eterno.
O crente deve também fazer das promessas e dos feitos passados de Deus os seus assuntos principais. Essa prática edifica e consola os que estão ao seu redor
Vejamos alguns exemplos:
1. José, em seus últimos momentos, trouxe à memória de seus irmãos as promessas de Deus quanto à posse da terra de Canaã (Gn 50:24);
2. Moisés, em meio às bênçãos que no dia de sua morte proferiu aos filhos de Israel, apontou-lhes as obras que o Senhor havia feito em benefício deles (Dt 32:1-43);
3. Davi, falou da benignidade do Senhor e sobre o conteúdo das suas promessas em suas últimas palavras (2Sm 23:1-7).
Esse é o comportamento esperado do crente, falar das obras e promessas de Deus quando estiver prestes a morrer. Nesse momento, o coração o cristão deve estar repleto de gratas lembranças do passado e da doce expectativa quanto ao futuro glorioso e tão próximo. Esperamos que a tônica do fala seja “O Senhor”, pois entendemos na Palavra que a boca fala do que está cheio o coração. (Lc 6:45)
CONCLUSÃO
Todos nós devemos nos preparar para esse momento tão especial. Não podemos fugir dele, a menos que participemos do momento glorioso de sermos arrebatados como o Senhor nos ares, conforme nos diz Paulo em 1Ts 4:16. Devemos proferir as mesmas palavras de Estevão, que ciente de sua salvação em Cristo, sabendo o tudo o que lhe esperava, em momentos de extrema dor ao ser apedrejado e humilhado, disse: “SENHOR JESUS, RECEBE O MEU ESPÍRITO!” (At 7:59)
Que na sua lápide esteja escrito: “FUI PARA CASA”